O que significa Copasetic e qual sua importância para o tap dance?

Alexei Henriques

O texto de hoje é em homenagem ao meu amigo Pedro Paulo Bravo que, desde 2017, organiza o Festival Copasetic. Esse festival é anual, já tendo acontecido na cidade do Rio de Janeiro, São Paulo e em formato online.

As décadas de 50 e 60 do século passado foram anos duros para os sapateadores americanos que brilharam anos antes. O mercado de trabalho diminuiu muito, o gosto do público estava mudando e o sapateado quase desapareceu. Vale lembrar também que, como já foi dito em outros textos, apesar do sapateado americano ser constantemente associado apenas aos musicais da era de ouro de Hollywood, essa arte nasceu nas ruas de Nova York com o povo negro. E, enquanto a maioria das estrelas do cinema eram brancas, os sapateadores “de raíz”, como diríamos hoje em dia, dançavam em teatros e casa noturnas tendo muito menos dinheiro e prestígio do que aquelas que foram para a indústria cinematográfica. Um dos principais motivos para essa arte não ter desaparecido de vez foi graças a um grupo de sapateadores negros que continuaram na resistência, dançando em bailes anuais e eventos beneficentes, mesmo com escassos trabalhos no sapateado, tendo muitas vezes que trabalhar em outros empregos e vivendo na pobreza. Esse grupo se chamava Copasetics.

Mas para entendermos como esse grupo se formou e o porquê do nome, primeiro preciso falar de Bill Bojangles Robinson. Esse lendário sapateador foi de grande importância para nossa arte e sua morte foi muito marcante para a época (falo mais sobre ele no texto “Bojangles e as quebras de barreiras raciais”). Dez dias após o seu falecimento, em 1949, alguns sapateadores, amigos de Bojangles, formaram um clube com a intensão de “guardar” o sapateado para que ele não fosse esquecido. Esse grupo era formado por alguns dos principais nomes do sapateado da era do swing que dançavam nas casas noturnas americanas nas décadas de 30/40 e que, a partir de então, começaram a ser chamados de a “velha guarda” do sapateado. Foram eles que, mais tarde, se tornaram mestres de sapateadores como Gregory Hines e Brenda Buffalino. O nome que esses sapateadores escolheram para dar ao grupo foi “Copasetics” em homenagem ao Bill Robinson.

Essa palavra, sempre dita por Bojangles dentro da frase “Everything is Copasetic”, era uma gíria muito usada por ele que significava algo como “tudo bem”, “tudo está ótimo”, “Tudo em ordem”, “OK”, “fine”, “That’s all right”. Como é dito no texto “Bojangles e as quebras de barreiras raciais”, Bill Robinson, em seus variados shows, além de sapatear, também cantava, contava piadas e era um contador de histórias. Nesses momentos, muito frequentemente ele usava sua característica frase “Everthing is Copasetic”.

O surgimento da palavra Copasetic não é certo, muitos acreditam ter sida inventada por Bojangles. Segundo o dicionário Merriam, não se sabe exatamente a origem etmológica dessa gíria que provavelmente surgiu no início do sec. XX. Existem algumas possibilidades, dentre elas o francês de Louisiana (coupe-sètique), o italiano (copasetti) ou o hebraico (“hakol beseder” – tudo em ordem).

Na década de 70 e 80, com o ressurgimento do sapateado, o grupo foi constantemente requisitado para dar aulas e participar de eventos e apresentações dentro e fora dos EUA. Dessa forma, eles tiveram uma grande importância no desenvolvimento das novas estrelas do tap que estavam se formando, ajudando na preservação, divulgação e no renascimento dessa dança que estava acontecendo.

Hoje, a American Tap Dance Foundation, fundada por Branda Buffalino, Charles “Honi” Coles (que foi um dos integrantes originais do Copasetics) e Tony Waag, tem o intuito e a missão de preservar e dar continuidade ao legado do Copasetics. Em 1977, Brenda Buffalino produziu e dirigiu um documentário chamado “Great Feats of Feet”, onde é possível conhecer um pouco mais sobre esses sapateadores tão importantes para a história do tap. Segundo o site da fundação, os 21 integrantes originais do grupo são: Charles “Cholly” Atkins, Clayton “Peg Leg” Bates, Paul Black, Roy Branker, Ernest “Brownie” Brown, Charles “Honi” Coles, Chink Collins, Charles “Cookie” Cook, Emory Evans, Francis Goldberg, Frank Goldberg, Milton Larkin, LeRoy Myers, Pete Nugent, Luther Preston, Phace Roberts, John E. Thomas, James Walker, Elmer Waters, Eddie West, e o compositor Billy Strayhorn. E depois, o grupo ainda adquiriu novos membros como Billy Eckstine, Lewis Brown, Curley Hamner, Timmie Rogers, Charlie Shavers, Leslie “Bubba” Gaines, Dizzy Gillespie, James “Buster” Brown, Louis Simms Carpenter, Albert “Gip” Gibson, James “Stump” Cross e Jimmy Wright, além de possuir membros honorários como Willie Bryant, Lionel Hampton, Sammy Davis Jr., os Nicholas Brothers, Chuck Green, Joe Williams e Dick Gregory.

LINKS:

Link para acessar o texto “Bojangles e as quebras de barreiras raciais” –https://poeticasembytes.com/2021/04/20/bojangles-e-as-quebras-de-barreiras-raciais/

Link para acessar o site da American Tap Dance Foundation – https://www.atdf.org/

Link para acessar o site do Festival Copasetic – https://www.festivalcopasetic.com.br/

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