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Espetáculo de Música e Poesia

O Sábio

Marco Sá

Era uma aldeia pequenininha, de flores e cactos e terra cheirosa. Um pouco mais pobre que a aldeia vizinha, onde eu nasci. Foi num domingo, ao fim da tarde, que fez-se o Sábio seu guardião do Antigamente. Ele me falava olhando nos olhos, com cheiro de mato e voz de passarinho, acariciando a barba, que a novidade me tocaria.

Então, eu quis saber mais desse guardião. Perguntei de porta em porta e não encontrei uma certidão qualquer. Nenhum negativo, matéria, registro. Não havia nada além da vizinha, que falava a todos os cantos que com ele já convivia desde sempre. Dizia ela que o velho vinha mesmo do Antigamente, e que seus filhos eram dele também.

E a cada domingo, assim, de tardinha, eu me questionava se a pobre vizinha era tudo aquilo que a minha vozinha me contou: entendia de parto e perfumaria, que era velha para conhecer o Sábio – desde criancinha.

Até que a coragem me tomou de rasteira. Porque tomar coragem é para gente ligeira. E minha avó disse que atabalhoado eu era desde antes do desmame – com essas palavras. Foi na esquina de casa que eu confrontei o guardião e, assim como ele, olhava em seus olhos. Foi noutro domingo, assim, de tardinha. Puxei-o no braço e, tão assustado, evaporou.

Levei a culpa na aldeia todinha! Todos me apontavam, chutavam o vento porque não podiam me chutar, achava eu. Quando chegava do trabalho, na aldeia vizinha – aquela em que morei quando criancinha – me escarravam e lamentavam. A culpa vinha e me consumia, e andando eu fui até a beirinha da ponte, de onde saltavam ao lago as crianças sadias. Ao me verem chegar, corriam. Pobres crianças, apenas seguiam as ordens dos pais. Eles todos – até os avós – me condenavam.

A aldeia inteira se avizinhava, quando eu estava ali, na beirada. E eu recuava até onde dava. Fechei os meus olhos, rezei baixinho. Com cheiro de mato e voz de passarinho, foi aí que toda aquela gentinha viu: o Sábio era eu! O Sábio era eu! E todos me vinham pedir conselhos. E desculpas. Como um vento que no rosto afaga, eu percebi que era toda minha a culpa, quando não falei do Antigamente nas tardes em que me ouviam, permanentemente atentos. Presentes, agrados, de onde brotava tanta coisa naquela aldeia pobrinha? Acontece que o Sábio era eu, sim, porque mantinha um mistério: mais ouvia do que falava.

Aracaju

Marco Sá

Tio Miguel era um apostador contumaz. Cavalos, loteria federal, bingo e, especialmente, jogo do bicho. Todas as manhãs, perguntava a todas as crianças da casa – eram sete – com que bicho haviam sonhado na noite anterior. Como se não bastasse, antes de bebericar, atirava um palito de fósforo aceso à xícara de café: ali se revelaria um possível vencedor. Certa vez, quando deu cabra de um sonho meu, o tio mandou trazer água, que já não víamos havia três dias.

Aracaju não era uma cidade fácil no começo do século passado. Quando voltei lá, depois de quase 20 anos morando no Rio, minha tia Mimi, que ajudou a criar a mim e à minha irmã Lurdinha, já completava 10 anos de morta. Tio Miguel agora era o maior bicheiro da região. Diziam que carregava no pescoço todo o ouro de um navio português naufragado à beira da Atalaia Velha. De longe, soube que, quando começou a ganhar muito dinheiro, juntou as trouxas da casa de Vovó Edith e se mandou pra São Cristóvão. Só aparecia no Natal, quando enchia todas as novas crianças – que se multiplicavam – de tudo que era mais moderno.

Era 22 de dezembro e o pátio do Santa Maria estava quase lotado de aviões Douglas da Varig, Panair do Brasil, Vasp e Lóide. No saguão do aeroporto, não se falava em outra coisa que não da nova capital, inaugurada meses antes. Todo mundo ali tinha mandado pelo menos um parente pro Planalto Central. Ao meu tio, ofereceram a vaga de peão quando ainda dependia da pensão de vovô, mas ele tinha plena fé no jogo e em Nossa Senhora da Conceição. No desembarque, os recém-chegados paravam pra ver um Chevrolet Bel Air vermelho e sua capota branca. Tio Miguel havia vendido a casa e voltado ao chão de terra batida, apesar do carrão em que me esperava.

O bom humor do tio durou pouco mais de um dia. Quando perguntei o que tinha acontecido, era falta de sua irmã Miguelina. Só ele e vovó usavam esse nome e uma vez tentei dizer “tia Migue…” e fui repreendida com olhares vis: “se tu disser mais uma vez, te encho o bucho e vai se ver com a Pisadeira!”. Anos depois, vim a descobrir que se tratava de uma velha que pisava na barriga das pessoas quando iam dormir de barriga cheia, deixando com falta de ar. Mesmo sem saber, a cabeça da criança já tinha certeza de que era coisa ruim e foi o dia em que mais rezei antes de dormir.

Não eram duas da tarde e tio Miguel já entornava a segunda garrafa de vinho do porto. Era antevéspera de Natal, tudo podia na época de dia santo. Inclusive me culpar pela morte de tia Mimi, enquanto eu preparava a ceia desde as sete da manhã: “Você foi embora ser metida a besta e deixou tua tia doente aqui”. O chão era vermelho da terra, mas a casa era limpa e muito bem arrumada pela Isidora, menina que a tia pegou pra criar e acabou cuidando de tudo. “Não deixa ele falar assim contigo, não! Tu sabe que esse bebum perdeu o dinheiro todo? Só sobrou esse carro aí, que ele não vende nem por um Diabo!”. “Olhe aqui, Miguel, cê não vem se criar pra cima de mim, não”. A pequena era valente. E o tio se mandou pra rua continuar a bebedeira na venda do Ronaldão.

No dia seguinte, voltava ele como se nada estivesse acontecido, de camisa estampada vermelha e marrom, calça de linho e sapato de couro. Puxo uma garrafa da caninha e ofereço ao tio: “Por que você nunca foi me visitar no Rio?”. Ele abaixa a cabeça e me olha feito um cachorro com fome: “Sabe o que é? Tenho medo de voar”. “Mas tem ônibus também, tonto!”, respondi eu, prendendo o riso. “A viagem é comprida, né? E se der vontade de… Qualquer dia eu vou, eu vou!”. Como era estranho não ver aquele cabelo trançado pedindo a bênção!

Semana passada, mandei meu neto jogar no bicho. A mãe dele não gosta que eu faça essas coisas, mas ela não precisa ficar sabendo. Ele ganha pipa e fica todo mundo feliz da vida. Joguei o palito no café e não deu outra: cabra! Aqui não costuma faltar água, mas a gente sempre sente falta de alguma coisa.

dAlton coelho

SOFÁ SUECO

Coral: Sofá Sueco
Arranjo, regência e preparação vocal: Dalton Coelho
Violão: Dalton Coelho
Direção cênica: Fernanda Milfont
Direção geral e edição de video: Rafael Menezes

Licenciado em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e formado em Regência Coral pelo Seminário de Música Pró-Arte, sob a orientação do professor Dr. Carlos Alberto Figueiredo, Dalton Coelho vem, há mais de 15 anos, desenvolvendo profícuo trabalho em música vocal no Rio de Janeiro.

Tenor e um dos arranjadores do premiado grupo vocal Equale*, Dalton é também regente, violonista e preparador vocal. Seus arranjos já foram entoados por diversos grupos e artistas brasileiros, entre eles, Roberto Menescal,

Wanda Sá, Grupo Vocal Bebossa, Bebossa Kids, coro infantil da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), grupo Vocal Dá o Tom e diversos corais cariocas. Seu arranjo da música Medida da Paixão, de Lenine e Dudu Falcão, recebeu premiação de terceiro lugar em concurso nacional de arranjos vocais, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ) em 2014.

Dalton Coelho atua na direção musical e na preparação vocal dos grupos vocais Dá o Tom, Sofá Sueco, e dos corais Seresta, De Cor e Salteado e CIGAM. Leciona, ainda, Harmonia e Percepção, desde 2002, na tradicional escola de música CIGAM, instituição fundada pelo compositor e educador musical Ian Guest.

Dalton foi também responsável pela direção musical e pelos arranjos de alguns espetáculos teatrais, com destaque para o infantil “Os Músicos de Bremen”, dirigido por Anderson Oliveira e “Minha Vida não Foi Bárbara”,
monólogo musical escrito e interpretado pela atriz e cantora Juliana Veronezi, este dirigido por Tauã Delmiro.

Dentre alguns trabalhos como professor, destaca-se a oficina coral ministrada no Festival de Inverno de Boituva/SP em 2018.

  • 29º prêmio da Música Brasileira 2018 – Equale, melhor grupo MPB.

O que significa Copasetic e qual sua importância para o tap dance?

Alexei Henriques

O texto de hoje é em homenagem ao meu amigo Pedro Paulo Bravo que, desde 2017, organiza o Festival Copasetic. Esse festival é anual, já tendo acontecido na cidade do Rio de Janeiro, São Paulo e em formato online.

As décadas de 50 e 60 do século passado foram anos duros para os sapateadores americanos que brilharam anos antes. O mercado de trabalho diminuiu muito, o gosto do público estava mudando e o sapateado quase desapareceu. Vale lembrar também que, como já foi dito em outros textos, apesar do sapateado americano ser constantemente associado apenas aos musicais da era de ouro de Hollywood, essa arte nasceu nas ruas de Nova York com o povo negro. E, enquanto a maioria das estrelas do cinema eram brancas, os sapateadores “de raíz”, como diríamos hoje em dia, dançavam em teatros e casa noturnas tendo muito menos dinheiro e prestígio do que aquelas que foram para a indústria cinematográfica. Um dos principais motivos para essa arte não ter desaparecido de vez foi graças a um grupo de sapateadores negros que continuaram na resistência, dançando em bailes anuais e eventos beneficentes, mesmo com escassos trabalhos no sapateado, tendo muitas vezes que trabalhar em outros empregos e vivendo na pobreza. Esse grupo se chamava Copasetics.

Mas para entendermos como esse grupo se formou e o porquê do nome, primeiro preciso falar de Bill Bojangles Robinson. Esse lendário sapateador foi de grande importância para nossa arte e sua morte foi muito marcante para a época (falo mais sobre ele no texto “Bojangles e as quebras de barreiras raciais”). Dez dias após o seu falecimento, em 1949, alguns sapateadores, amigos de Bojangles, formaram um clube com a intensão de “guardar” o sapateado para que ele não fosse esquecido. Esse grupo era formado por alguns dos principais nomes do sapateado da era do swing que dançavam nas casas noturnas americanas nas décadas de 30/40 e que, a partir de então, começaram a ser chamados de a “velha guarda” do sapateado. Foram eles que, mais tarde, se tornaram mestres de sapateadores como Gregory Hines e Brenda Buffalino. O nome que esses sapateadores escolheram para dar ao grupo foi “Copasetics” em homenagem ao Bill Robinson.

Essa palavra, sempre dita por Bojangles dentro da frase “Everything is Copasetic”, era uma gíria muito usada por ele que significava algo como “tudo bem”, “tudo está ótimo”, “Tudo em ordem”, “OK”, “fine”, “That’s all right”. Como é dito no texto “Bojangles e as quebras de barreiras raciais”, Bill Robinson, em seus variados shows, além de sapatear, também cantava, contava piadas e era um contador de histórias. Nesses momentos, muito frequentemente ele usava sua característica frase “Everthing is Copasetic”.

O surgimento da palavra Copasetic não é certo, muitos acreditam ter sida inventada por Bojangles. Segundo o dicionário Merriam, não se sabe exatamente a origem etmológica dessa gíria que provavelmente surgiu no início do sec. XX. Existem algumas possibilidades, dentre elas o francês de Louisiana (coupe-sètique), o italiano (copasetti) ou o hebraico (“hakol beseder” – tudo em ordem).

Na década de 70 e 80, com o ressurgimento do sapateado, o grupo foi constantemente requisitado para dar aulas e participar de eventos e apresentações dentro e fora dos EUA. Dessa forma, eles tiveram uma grande importância no desenvolvimento das novas estrelas do tap que estavam se formando, ajudando na preservação, divulgação e no renascimento dessa dança que estava acontecendo.

Hoje, a American Tap Dance Foundation, fundada por Branda Buffalino, Charles “Honi” Coles (que foi um dos integrantes originais do Copasetics) e Tony Waag, tem o intuito e a missão de preservar e dar continuidade ao legado do Copasetics. Em 1977, Brenda Buffalino produziu e dirigiu um documentário chamado “Great Feats of Feet”, onde é possível conhecer um pouco mais sobre esses sapateadores tão importantes para a história do tap. Segundo o site da fundação, os 21 integrantes originais do grupo são: Charles “Cholly” Atkins, Clayton “Peg Leg” Bates, Paul Black, Roy Branker, Ernest “Brownie” Brown, Charles “Honi” Coles, Chink Collins, Charles “Cookie” Cook, Emory Evans, Francis Goldberg, Frank Goldberg, Milton Larkin, LeRoy Myers, Pete Nugent, Luther Preston, Phace Roberts, John E. Thomas, James Walker, Elmer Waters, Eddie West, e o compositor Billy Strayhorn. E depois, o grupo ainda adquiriu novos membros como Billy Eckstine, Lewis Brown, Curley Hamner, Timmie Rogers, Charlie Shavers, Leslie “Bubba” Gaines, Dizzy Gillespie, James “Buster” Brown, Louis Simms Carpenter, Albert “Gip” Gibson, James “Stump” Cross e Jimmy Wright, além de possuir membros honorários como Willie Bryant, Lionel Hampton, Sammy Davis Jr., os Nicholas Brothers, Chuck Green, Joe Williams e Dick Gregory.

LINKS:

Link para acessar o texto “Bojangles e as quebras de barreiras raciais” –https://poeticasembytes.com/2021/04/20/bojangles-e-as-quebras-de-barreiras-raciais/

Link para acessar o site da American Tap Dance Foundation – https://www.atdf.org/

Link para acessar o site do Festival Copasetic – https://www.festivalcopasetic.com.br/

Referências

Livros:

– LEWIS, Liza. Sapateado: Fundamentos e Técnicas. Tradução de Marcia Di Domenico. 1ªed. Barueri: Manole, 2016.

– LUDUEÑA, Miguel Angel. TAP: Uma Mirada desde el hemisfério sur. 1ªed. Buenos Aires: Lud Editor, 2010. 

– MACHADO, Amália e SALLES, Flávio. TAP: A Arte do Sapateado. 1ªed. Rio de Janeiro: Editora Addresses, 2003

– MARTIN, Cintia. Toques: Vivendo, Aprendendo e Ensinando o Sapateado. 1ª ed. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.

Sites:

– Copasetics. Library of Congress. Disponível em: http://memory.loc.gov/diglib/ihas/loc.music.tdabio.59/default.html. Acesso em 01/2021

– HARPER, Steven. Apostila de conteúdo e referências Para a Prova Teórica de Sapateado. Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: https://spdrj.com.br/wp-content/uploads/sites/150/2019/09/APOSTILA-DE-SAPATEADO.pdf. Acesso em 01/2021

– Hill, Constance Valis. Tap Dance in America: A Short History. Library of Congress. Disponível em: https://www.loc.gov/item/ihas.200217630/#:~:text=Tap%20dance%20is%20an%20indigenous,United%20States%20in%20the%201700s. Acesso em 01/2021

– Merriam-Webster. Disponível em:

https://www.merriam-webster.com/dictionary/copacetic . Acesso em 01/2021

– MORRISON, Margaret e WAAG, Tony. About Copasetics. American Tap Dance Foundation. Disponível em: https://www.atdf.org/ttt-about-copasetics. Acesso em 01/2021

– The Copasetics. Tap Legacy Foundation. Disponível em: http://taplegacy.org/copasetics/about/

https://www.merriam-webster.com/dictionary/copacetic. Acesso em 01/2021

Bojangles e as quebras de barreiras raciais

por Alexei Henriques

Bill Bojangles Robinson (1878-1949) talvez seja o sapateador americano mais importante da história. Sua importância é tão grande que o dia internacional dessa dança é comemorado no dia 25 de maio, dia do seu nascimento. Há diversos motivos para isso: ele foi muito famoso e admirado por inovar com um estilo próprio que influenciou o sapateado americano permanentemente o trazendo para a meia ponta e possibilitando que mais sons pudessem ser feitos, além de deixá-los com mais clareza e mais leveza e ele ainda quebrou várias barreiras raciais que existiam em sua época. E é um pouco sobre essas barreiras raciais que nós vamos falar hoje. 

Bill Bojangles Robinson perdeu os pais por volta dos 6 anos de idade e foi criado pela avó que chegou a ser escravizada no início da vida. Ele começou a vida artística ainda criança nas ruas, em frente a teatros e também teve outros tipos de trabalhos como caixa de teatro, vendedor de jornal e jockey. Entrou para o vaudeville na década de 1890 e chegou a participar tanto da Guerra Hispano-Americana em 1898 (onde levou um tiro acidental de seu segundo-tenente) quanto da Primeira Guerra Mundial. 

Em 1902 Bojangles formou uma dupla com o artista George W. Cooper e juntos eles dançaram nos circuitos de vaudeville branco e negro. Os vaudevilles eram separados entre os circuitos brancos (de artistas brancos para plateia branca) e os circuitos negros (de artistas negros para plateia negra). Os artistas dos circuitos de vaudeville branco eram melhor remunerados e a maioria dos poucos artistas negros que conseguiram entrar para os circuitos brancos usavam o recurso do blackface para que a plateia pensasse que eles eram brancos pintados de preto. Essa foi a primeira barreira racial quebrada pelo Bill Robinson: a dupla Bojangles e Cooper conseguiu fazer parte desse circuito branco sem precisar utilizar esse artifício. 

Em 1908, Bojangles conheceu o empresário Marty Forkins que o incentivou a formar seu ato solo e ele administrou a carreira de Robinson até o final da sua vida. Para entrar nos circuitos de vaudeville, os artistas normalmente se juntavam com outros artistas formando duplas, trios, quartetos; era muito comum haver irmãos e famílias se apresentando nos teatros. Quem tinha um ato solo era porque já estava com sucesso e, principalmente: esse artista era branco. Essa foi outra barreira racial quebrada por Bojangles, ele foi talvez o primeiro negro a conseguir criar uma carreira solo de sucesso nos circuitos de vaudeville. 

No decorrer dos anos seguintes ele fez muito sucesso em circuitos como Keith e Orpheum, o maior circuito de vaudeville da época e no TOBA, o maior circuito de vaudeville negro. Ele fez turnês por todo os EUA lotando teatros, trabalhava praticamente todos os dias da semana fazendo mais de um show por dia e chegou a ser a estrela principal no Palace Theater em NY, que era considerado o mais importante teatro de vaudeville. Esse teatro pertencia ao circuito Keith, ficava na Broadway, bem em frente a Time Square e ele funciona até hoje (agora com grandes produções musicais da Broadway).

Após muitos anos de turnê pelo país, Bojangles fixou residência no Harlem, em Nova York, no ano de 1928 para participar do musical “Blackbirds”. Ele era a principal atração do musical que fez um enorme sucesso com apresentações lotadas e ficando mais de um ano em cartaz. Foi em “Blackbirds” que o seu número sapateando nas escadas ficou extremamente popular e foi nesse musical também que ele apresenta seu número chamado “Doin’ The New Low-Down”, que hoje se tornou uma coreografia de repertório dançada por muitos sapateadores. A música de mesmo nome foi composta especialmente para Bill Robinson e foi seu solo de estreia na Broadway. 

Nessa época Bojangles, então, já era super popular, aceito tanto no meio dos brancos como no dos negros e ele também era o artista negro mais bem pago do mundo. Quando ele entra para Hollywood, Bojangles passa a se tornar internacionalmente famoso, mas seu sucesso nos EUA já havia acontecido muito antes disso. É importante dizer aqui que, durante as décadas de 30 e 40, a maioria dos melhores sapateadores negros dançavam nas casas noturnas, tão populares àquela época, e poucos conseguiram entrar no cinema, que era predominantemente ocupado por estrelas brancas. 

Seu primeiro filme foi “Dixiana” de 1930 onde ele fez uma participação. Em 1932, no filme “Harlem is Heaven”, Bojangles se torna protagonista e apresenta seu número sapateando na escada que havia feito muito sucesso no musical “Blackbirds”. Esse filme é muitas vezes tido como o primeiro filme com um elenco totalmente negro.  Mas seu sucesso internacional veio mesmo a partir de 1935 com os filmes onde ele dança com aquela que é considerada como a atriz mirim mais famosa de todos os tempos: Shirley Temple. Juntos eles fizeram 4 filmes e seus números mais famosos são as danças onde eles sapateiam nas escadas, pois isso já havia se tornado uma marca de Bojangles. Em um desses filmes, no “The Littlest Rebel” (1935), Bill Robinson dança o “Doin’ The New Low-Down”, seu solo de estreia na Broadway, mas com uma outra música. A química de Bojangles com Shirley Temple foi muito boa, tanto dentro quanto fora das telonas. Ele possuía muito orgulho dela e ela muito respeito e admiração por ele. 

Naquele tempo era proibido que um artista negro dançasse ou contracenasse com uma artista branca nos filmes. Mas, como Shirley Temple era criança, essa parceria acabou sendo permitida e os dois se tornaram, então, os primeiros parceiros de dança inter-racial de Hollywood e foi a primeira vez que um personagem negro se tornava responsável por uma criança branca no cinema. Essa foi outra importante barreira racial quebrada por Bojangles.  Em algumas salas de cinema do sul dos EUA, as cenas de muito desses filmes em que Bojangles contracenava com Shirley Temple foram cortadas por conta desse preconceito da época. 

Quando Bill Robinson dançava no vaudeville, seu traje típico era bem elegante, com fraque ou terno, luvas, cartola e bengala. Sua intenção era elevar a condição do artista negro, tirando-o do estereótipo do negro tribal. Mas quando ele foi para o cinema, seus personagens eram quase sempre de escravo ou serviçal. Seus papeis eram, muitas vezes, estereótipos racistas, e Bojangles acabou sendo muito criticado por isso. Ele disse uma vez que aceitara os papeis, pois era preciso dar um passo atrás para ir à frente. Ele tentou se desvencilhar desses trajes simples e chegou a ser cogitado a dançar com Eleonor Powell, mas o par acabou não acontecendo. No longa chamado “Cafe Metropole” (1937), ele consegue gravar um número com o traje elegante, característicos dele no vaudeville, num filme com elenco branco. Mas essa cena foi cortada nos últimos momentos de edição, por conta desse tabu e do medo que se tinha de colocar a pessoa negra num patamar mais elevado. Um dos poucos filmes que ele consegue fugir dos estereótipos racistas é “Hooray for Love” de 1935, onde ele dança com a sapateadora Jeni Le Gon. 

Em 1943, Bojangles protagoniza seu 14º e último filme chamado “Stormy Weather”. Esse longa, apesar de também carregar alguns estereótipos, teve uma relevância para a conscientização da importância da cultura afro-americana e sua história é quase uma homenagem ao Bill Robson, onde ele faz um personagem levemente baseado em sua própria vida. Falo um pouco mais sobre um número de dança específico desse filme no texto “O Melhor Número de Dança da História”. 

Fora das telas, durante as décadas de 30 e 40, Bojangles esteve muito presente nas casas noturnas do Harlem como o Cotton Club, além de participar de vários shows da Broadway, gravações e programas de rádio e televisão. Em seus shows, Robinson, além de sapatear, também cantava, usava sua habilidade de fazer som de trompete com a boca, contava piadas e contava histórias. Ele era muito carismático, bem humorado, sempre com aquele sorriso típico dele que conquistava a plateia. Nessas contações de história, ele sempre usava sua famosa frase: “Everything is Copasetic”. Isso significava algo como “está tudo bem”, “tudo certo”, “tudo ok”. Após a sua morte, vários sapateadores se juntaram e formaram um importante grupo com o nome “Copasetics” para que a memória de Bojangles não fosse esquecida, falarei um pouco mais sobre esse grupo em breve.

Em 1939, Bojangles fez parte de um musical chamado “The Hot Mikado” que, além de ter ficado em cartaz na Broadway, também fez parte da Feira Mundial de Nova York que acontecia naquele ano, sendo um dos maiores sucessos da feira. E em 1940, no musical chamado “All in Fun”, Robinson faz outro marco, se tornando o primeiro afro-americano a estrelar como principal em um musical totalmente branco na Broadway. Foi um marco importante, apesar do musical não ter feito sucesso. 

Bojangles foi o artista negro mais bem pago do mundo na primeira metade do século XX. Mas, apesar disso, ele morreu pobre e cheio de dívidas. Isso porque Bojangles se sentia responsável pela comunidade em que vivia, ele doava muito dinheiro e foi famoso por sua grande generosidade. Ele ajudou inúmeros artistas (negros e brancos), enfermos, instituições de caridade e organizações locais. Ele realizou mais de 3000 ações beneficentes e, apesar de ter uma grande carga de trabalho, não se recusava a comparecer aos eventos beneficentes. 

Além dessas doações, Bojangles também ajudou em melhorias para o bairro do Harlem, pagando para construírem um semáforo perto de uma escola e também ajudando a construir um pequeno parque com brinquedos para crianças, próximo ao local onde ele morava. Hoje o parque recebe o nome de Bojangles e, desde a década de 1990, há um mural ilusionista com a imagem desse grande artista.

Por conta de todas essas contribuições filantrópicas, Robinson foi nomeado prefeito honorário de Harlem na década de 30. E ele usou essa influência para salvar a histórica “Árvore da Esperança” que ficava em frente ao Lafayette Theater. Havia uma superstição que dizia que o artista que esfregasse nessa árvore ganhava muita sorte. A árvore foi destruída, mas Bojangles conseguiu preservar o toco de almo do tronco da árvore com uma placa comemorativa. Ele também foi membro vitalício de associações de policiais e conseguiu persuadir o Departamento de Polícia de Dallas a contratar seu primeiro policial negro. Fã de beisebol, Robinson era mascote da liga principal do New York Giants e ele co-fundou, em 1936, a equipe do New York Black Yankees com sede no Harlem.

Bojangles faleceu dia 25 de novembro de 1949 aos 71 anos. No dia do seu funeral, as escolas do Harlem ficaram fechadas como forma de luto, seu caixão foi carregado do Harlem até o cemitério Evergreens, no Brooklin, descendo a Broadway e passando pela Time Square. Estima-se que mais de um milhão de pessoas acompanharam o cortejo, dentre elas vários grandes artistas e políticos famosos, tendo sido o maior funeral da história de Nova York. 

Essas foram algumas das contribuições de Bojangles. Ele foi de extrema importância para o sapateado americano e para a cultura norte-americana de forma geral. Por isso, então, que desde 1989 comemora-se o dia internacional do sapateado no dia de seu nascimento: dia 25 de maio.

Links:

Vídeo com o número de sapateado na escada do filme “Harlem is Heaven” de 1932 – https://www.youtube.com/watch?v=vj1KYaCIA5o


Vídeo de Bill Bojangles com Shirley Temple no filme “Little Colonel” de 1935 – https://www.youtube.com/watch?v=wtHvetGnOdM

Documentário televisivo de 1997 do programa “Biography” produzido pela “A&E Networks” sobre Bill Bojangles – https://www.youtube.com/watch?v=UWtImcRU_ug

Texto mencionado: “O Melhor Número de Dança da História” – https://poeticaembytes.wordpress.com/2020/09/22/o-melhor-numero-de-danca-da-historia/

Referências:

Livros:

– LEWIS, Liza. Sapateado: Fundamentos e Técnicas. Tradução de Marcia Di Domenico. 1ªed. Barueri: Manole, 2016.

– LUDUEÑA, Miguel Angel. TAP: Uma Mirada desde el hemisfério sur. 1ªed. Buenos Aires: Lud Editor, 2010.

– MACHADO, Amália e SALLES, Flávio. TAP: A Arte do Sapateado. 1ªed. Rio de Janeiro: Editora Addresses, 2003

– MARTIN, Cintia. Toques: Vivendo, Aprendendo e Ensinando o Sapateado. 1ª ed. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.

Sites:

– Blackbirds of 1928. Internet Broadway Database. Disponível em: https://www.ibdb.com/broadway-production/blackbirds-of-1928-10390 . Acesso em 10/2020

– Black Work Broadway. Disponível em: https://blackworkbroadway.com/Lew-Leslie-s-Blackbirds-1930 . Acesso em 10/2020

BLAIR, Elizabeth. Shirley Temple And Bojangles: Two Stars, One Lifelong Friendship. National Public Radio. Disponível em: https://www.npr.org/2014/02/14/276986764/shirley-temple-and-bojangles-two-stars-one-lifelong-friendship . Acesso em 10/2020

– ESCHNER, Kat. Three Ways Bill “Bojangles” Robinson Changed Dance Forever. Smithsonian Magazini. Disponível em:

https://www.smithsonianmag.com/smart-news/bill-robinson-king-of-tap-180963332/ . Acesso em 10/2020

– HARPER, Steven. Apostila de conteúdo e referências Para a Prova Teórica de Sapateado. Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: https://spdrj.com.br/wp-content/uploads/sites/150/2019/09/APOSTILA-DE-SAPATEADO.pdf . Acesso em 10/2020

– Hill, Constance Valis. Tap Dance in America: A Short History. Library of Congress. Disponível em: https://www.loc.gov/item/ihas.200217630/#:~:text=Tap%20dance%20is%20an%20indigenous,United%20States%20in%20the%201700s. Acesso em 10/2020

-PADGETT, Ken. Bill Bojangles Robinson (1878-1949). Blackface!. Disponível em: http://black-face.com/Bill-Bojangles-Robinson.htm . Acesso em 10/2020

Documentários:

– AMERICAN TAP. Direção: Mark Wilkinson. Produção de Annunziata Gianzero, Rayne Marcusm e Elka Samuels Smith. Estados Unidos: Ivy Media Group Inc., 2018.

– BILL BOJANGLES ROBINSON. Programa de TV: Biography. Produzido pela “A&E Networks”, 1997.

Whitman Sisters

por Alexei Henriques

Como já foi dito em outros textos aqui no site, apesar do sapateado possuir origens e ter se desenvolvido principalmente com o povo negro americano, essa arte acabou ficando internacionalmente famosa com várias estrelas brancas de Hollywood. Por conta do racismo e das leis segregacionistas ainda existentes nessa época, os artistas negros não puderam ter o mesmo prestígio dos brancos. Essa segregação faz parte da história americana e, consequentemente, do sapateado. Essa divisão racial foi muito presente do decorrer do tempo com o minstrel show, o vaudeville e o cinema.

Se as oportunidades e condições do homem negro daquela época eram muito baixas, a vida da mulher negra era ainda mais difícil. Há muitas mulheres negras sapateadoras na primeira metade do século XX, mas, hoje em dia, poucos já ouviram falar sobre alguma delas. Nesse texto aqui, nós falaremos sobre 4 irmãs de enorme importância para a dança e os shows de vaudeville da época: as Whitman Sisters. Uma dessas irmãs talvez tenha sido uma das primeiras mulheres negras a ser solista, ganhar dinheiro e fazer sucesso com o sapateado nos EUA: Alice Whitman. 

As Whitman Sisters começaram, ainda bem jovens, no final do século XIX, se apresentando em igrejas, pois seu pai, Albery Whitman, era pastor. Elas começaram a fazer algum sucesso, se apresentando em vários locais diferentes e chegaram a ser convidadas pelo George Walker, um grande produtor do vaudeville, para fazer parte de sua companhia. Mas o pai delas recusou o convite, pois queria que elas terminassem os estudos. 

No ano de 1900, as 3 irmãs mais velhas começam a se apresentar no vaudeville sob a gerência do pai com o nome “Whitman Sisters”. Mas em 1901 o Albery morre aos 50 anos de idade e, a partir desse momento, a companhia faz sua primeira inovação com uma mulher no comando, pois o grupo passa a ficar sob gerência da mãe delas, Caddie Whitman, e naquela época isso não era comum. Nesse ano de 1901, a filha mais velha, Mabel (1880-1942), tinha 21 anos, seguida pela Essie (1882-1961), com 19 anos, Alberta (1887-1963), com 14 e a mais nova, Alice (1900-1969), com apenas 1 ano de idade. 

As irmãs eram negras de pele clara e, com isso, elas conseguiram fazer parte dos circuitos de vaudeville branco. Elas pintavam a cara de preto (blackface), tingiam o cabelo de loiro e usavam peruca, com o intuito de confundir a plateia. Ninguém sabia se elas eram brancas fingindo serem negras ou negras fingindo serem brancas ou morenas fingindo serem loiras ou vice versa. Dessa forma, elas conseguiram crescer e fazer parte do vaudeville branco. Mas foi a partir de 1909, após a morte da mãe delas, sob direção da Mabel Whitman, a filha mais velha, que a companhia realmente começou a crescer se tornando uma das mais importantes do vaudeville. Mabel Whitman tinha fama de durona, destemida, persistente e controladora. Controlava a vida dos integrantes da companhia dentro e fora do palco tratando seus membros como uma família. As 4 irmãs viviam entre o mundo religioso e secular. Elas continuaram a se apresentar em igrejas até o final da vida, mesmo fazendo parte do vaudeville. Naquele tempo, mulher artista era vista como vulgar e fora dos padrões tradicionais religiosos. Mas as irmãs quiseram manter essa relação com o religioso buscando sempre por respeito e admiração. Era comum haver crianças e adolescentes nos circuitos de vaudeville e, com essa fama de comportamento rígido maternal da Mabel, as mães desses jovens confiavam em deixá-los sob sua tutela. Muitos grandes artistas começaram e desenvolveram suas carreiras graças a elas, como Count Basie (pianista de jazz), Willie Bryant (líder de banda e vocalista), Lonnie Johnson (pioneiro na guitarra de jazz, lenda do jazz e do blues), Clarence “Pinetop” Smith (tocou em uma das primeiras gravações do estilo “boogie woogie”) e a atriz e cantora Ethel Waters, além de grandes sapateadores como os Berry Brothers, Bunny Briggs, Jeni Le Gon, Eddie Reitor e Leonard Reed. Inclusive, foi durante o período que Leonard Reed trabalhava na companhia das Whitman Sisters que o Shim Sham foi criado, com a coreografia tendo recebido total influência de uma das irmãs, a Alice Whitman. 

As Whitman Sisters sempre foram leais à comunidade afro-americana. Elas exigiam que o público negro pudesse sentar em qualquer lugar (era comum naquela época em diversos teatros que as cadeiras centrais fossem reservadas apenas para pessoas brancas, enquanto os negros ficavam nos fundos ou nas arquibancadas ou nem mesmo eram permitidos a entrar) sendo, em muitos teatros, a primeira vez que isso acontecia. Além disso, apesar das irmãs Whitman terem conseguido participar dos circuitos de vaudeville brancos, elas optaram, de forma deliberada, no início da década de 20, a fazer parte do TOBA, o principal circuito de vaudeville negro, mesmo ganhando menos. Elas se tornaram as “Rainhas do TOBA” sendo uma das maiores, a mais longeva e a mais bem paga companhia desse circuito. 

Alice Whitman, a irmã mais nova da família, começou dançando desde criança e ela era chamada de Baby Alice Whitman. Apesar das 4 irmãs cantarem e dançarem, cada uma tinha uma função predominante na companhia. A Mabel era a gerente do grupo, a Essie era cantora e figurinista do grupo, a Alberta era compositora e dançarina e a Alice era a dançarina, sapateadora e a estrela principal das apresentações. Dançarina ágil, possivelmente a primeira sapateadora solista negra do vaudeville e responsável pelo crescimento de diversos sapateadores que passaram pela companhia, incluindo seu filho Pops Whitman que também fez parte da companhia. A sapateadora Jani Le Gon disse uma vez: “ela era a melhor, melhor do que Ann Mille, Eleonor Powell, eu ou qualquer outra pessoa”. Além disso, outra inovação que as irmãs trouxeram foi com um dueto que a Alice Whitman fazia com um personagem chamado Bert, um homem elegante. Esse homem era, na verdade, sua irmã Alberta com trajes masculinos sendo, talvez, uma das primeiras mulheres travestidas de homem nos palcos americanos. 

A companhia durou de 1900 até 1943 (um ano após a morte da Mabel Whitman), chegando a ter dezenas de artistas trabalhando junto e fazendo sempre muito sucesso, mesmo depois que o vaudeville já havia praticamente terminado. Em 1961 aconteceu um incêndio na casa das irmãs matando Essie e destruindo muitos materiais, registros, programas, partituras e fotografias. Elas não fizeram nenhum filme, quase nenhuma gravação (há apenas algumas feitas por Essie nos anos 20) e, por conta disso tudo, hoje há poucas informações sobre elas. Mas sabe-se que seu sucesso foi enorme e que elas são de grande importância para a história do entretenimento americano. Na década de 60, as irmãs fizeram uma entrevista para o Marshall Sterns, um historiador de jazz, que escreveu o livro “Jazz Dance”, onde ela foi publicada. 

Hoje vimos, então, um pouco sobre a história dessa família tão importante que quebrou várias barreiras sociais, raciais e de gênero, divertindo diferentes públicos: brancos e negros, ricos e pobres, homens e mulheres. Alice Whitman era considerada a “Rainha do Tap” e Mabel Whitman foi a única gerente mulher negra de seu tempo fazendo das Whitman Sisters Company uma das mais importantes companhias do vaudeville americano. 

Referências:

Violeta

Márcia Cristina Silva

Ei, você viu a Violeta por aí? Não…Ihh, então vai ser complicado contar essa história. Violeta vive fugindo de tudo que eu invento pra ela. É só imaginar o início da história, que pronto: começa a correr pelos pensamentos, escorrega pelas idéias e se esconde atrás do arco-íris.

Por onde andará minha personagem agora?

Ela é assim, vive entre a chuva e o sol, entre o azul e o vermelho, entre o sim e o não.

Já foi até princesa em uma história, mas fugiu antes do príncipe chegar. Disse que só morava em castelos de areia, com portas abertas ao vento que um dia viria lhe chamar.

Mas quando lhe dei o castelo de areia, foi embora com o primeiro marinheiro que passou. No lugar do castelo deixou um recado na areia:

DESCULPE, NÃO LANÇO ÂNCORAS NA TERRA, SÓ NAS ONDAS DO MAR.

Fui encontrá-la perdida numa ilha. O marinheiro? Já havia afundado. Ela troca de namorado como troca de histórias. Entra por uma letra e sai antes do ponto. Começa com um beijo, acaba antes do outro.

Resgatei Violeta da ilha e lhe dei uma história nova: casa amarela, sofá de bolinha, conversa de portão com a vizinha. Ela não quis saber de nada, foi sumindo de mansinho…Encontrei um bilhete na porta da geladeira:

FALTAVA MUITA COISA NESTA CASA. VOU NOUTRA HISTÓRIA TENTAR ACHAR MEU CORAÇÃO. NÃO ME ESPEREM.
BEIJOS,
VIOLETA

Desta vez pelo menos tinha deixado uma pista. Entre uma linha e outra podia-se escutar TUM, TUM, TUM…Era pra lá que estava indo.

Só que às vezes as buzinas atrapalham e a gente segue errado o caminho do coração. Violeta entrou na contramão e foi subindo, subindo até chegar na lua. Quer mais emoção do que poder ver a Terra bem do alto, comendo pipoca sentada na lua? Ela queria. Disse que não sabia viver na lua com as estrelas. O céu foi feito para se sonhar, não para se viver. Que graça tem viver dentro de um sonho e não ter com que sonhar? Pegou um foguete que passava e zuuummm…, saiu da história antes da primeira vírgula. No caminho de volta, abriu a porta do foguete e saltou. Enquanto caía Violeta gritava:

SOCORRO, SOCORRO!!!!! PRECISO DE ASAS PRA CHEGAR NO MEU CORAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

No desespero a única coisa que encontrei foi um pára-quedas. Ela foi caindo numa folha em branco, com jeito de terra fofa , pronta pra ser plantada. Achei que Violeta seria feliz vivendo como uma flor. Afinal nome de flor já tinha e isso já era o começo pra uma história. Plantei minha personagem bem no meio da página, ao lado de margaridas e girassóis. Só que ela foi murchando, murchando, até que de repente, cadê? Tava lá toda encolhida atrás de um ponto de interrogação. Violeta virou semente perdida num grande jardim. Ficou toda seca , sequinha coitada. Então coloquei-a pra dormir numa nuvem de algodão. Quem sabe assim brotaria como um feijão?

E foi o que aconteceu. A semente começou a crescer e a jogar seus cachos violeta pela janela. Em pouco tempo chamou a atenção de todos que passavam pela história como a linda moça cor de violeta que tinha o pé plantado na nuvem e sonhava em achar seu coração.

Poucos não foram aqueles que tentaram lhe mostrar o caminho. Todas as noites subiam pelos seus cachos príncipes disfarçados de sapos e sapos disfarçados de príncipes. Mas Violeta rejeitava ser Rapunzel. Tratou de cortar os cachos, arrancou o pé da nuvem e se atirou de mais uma história.

Desde então não soube mais notícias suas. Espera aí… acabo de receber uma carta urgente, acho que conheço essa letra.

QUERIDA AMIGA,
DEPOIS QUE SALTEI DAQUELA HISTÓRIA E VI QUE NÃO TINHA NINGUÉM POR PERTO PARA ME AJUDAR, FIQUEI COM MUITO MEDO. ENQUANTO CAÍA FUI MUDANDO DE COR E PERCEBI QUE NÃO ERA APENAS VIOLETA, PODIA SER TAMBÉM AMARELA, VERDE, AZUL…. TINHA TODAS AS CORES DENTRO DE MIM PRA IR DE NORTE A SUL . DE REPENTE SENTI UMA COSQUINHA NAS COSTAS, UMA VONTADE DE VOAR. OLHEI PARA TRÁS , MINHAS ASAS SE ABRIAM COM AS CORES DO ARCO-ÍRIS. SÓ ENTÃO ENTENDI QUE NÃO NASCI PARA SER HISTÓRIA, PORQUE…
NÃO SOU CONTO
SOU APENAS CANTO
PÁGINA EM BRANCO, SEM TEMA
MEU CORAÇÃO É POEMA.

O avô do TAP

por Alexei Henriques

O sapateado americano nasceu nas ruas de Nova York com influências de danças afro-americanas e de danças europeias como a Juba Dance e o sapateado irlandês. Metade da população de Manhattan no século XIX era de negros e imigrantes irlandeses o que fez com que o sapateado americano começasse a brotar principalmente dentro do minstrel show, a principal forma de entretenimento do americano daquele tempo. Foi lá que o blackface surgiu. Pessoas brancas pintavam suas caras de preto para representar pessoas negras de maneira extremamente racista e fazer piada com isso. Foi nessa época que surgiu também o primeiro a dançar num estilo que lembra nosso sapateado americano atual, o Master Juba.

Nascido como homem livre em 1825, William Henry Lane, o Master Juba, conhecido também como Boz Juba, foi um dos primeiros artistas negros a se apresentar para uma plateia branca além de ser o único a fazer parte de uma companhia branca de menestrel. Para entrar nessa companhia, ele começou se pintando de preto para fingir que era um branco que se pintava de preto.

Juba começou a carreira na adolescência dançando num salão de dança chamado “Almack’s Dance Hall”, no Five Points, um bairro pobre de Manhattan, e já na década de 1840 entrou para o circuito de minstrel show fazendo muito sucesso em Nova York. Quero mencionar aqui que o Five Points, situado no Lower Manhattan, perto de onde hoje é o China Town e o Little Italy, foi um lugar de extrema pobreza, com uma alta densidade demográfica, doenças, gangsters, violência e foi considerado a favela com a maior taxa de mortalidade do mundo no século XIX. Muitos afro-americanos moravam nesse lugar e mais da metade dos moradores de Five Points, após a Grande Fome da Europa, era de imigrantes irlandeses. O escritor britânico Charles Dickens quando esteve em Nova York, em 1842, ficou muito impressionado com a pobreza do bairro de Five Points. Charles Dickens também frequentou o salão onde Master Juba dançava e escreveu dizendo que este era o maior dançarino que ele já havia visto em toda vida.

Master Juba desafiou e derrotou os principais dançarinos brancos, incluindo o mais famoso de sua época, o John Diamond Rice. Por conta disso, Juba foi proclamado o “Rei de todos os dançarinos”. Com todo esse sucesso nos EUA, William Henry Lane fez turnê na Europa e seu auge veio em 1848 quando sua trupe de menestrel foi para as Ilhas Britânicas, recebendo grandes elogios dos críticos dessa terra e chegando a se apresentar para a rainha da Inglaterra. Dizia-se que nunca haviam visto nada parecido. Foi na Inglaterra, inclusive, que Master Juba ganhou o apelido de Boz Juba. A viagem de Charles Dickens aos EUA foi registrada por ele no chamado American Notes e, ao ser publicada, Dickens usou o pseudônimo “Boz”. Quando Master Juba chegou na Inglaterra todos diziam que ele era o Juba do Boz (Boz Juba) para se referir ao dançarino que Dickens escreveu, daí vem esse outro apelido dele.

Porém, apesar de todo esse sucesso, Willim Hanry Lane acabou morrendo por volta dos 27 anos, em 1852 ou 53 (não se sabe ao certo) provavelmente pelo excesso de trabalho e desnutrição. Como Mr. Juba viveu numa época em que a filmagem ainda não havia sido inventada, não temos registro audiovisual dele, mas temos relatos escritos que comprovam seu enorme sucesso e influência mesmo numa época altamente preconceituosa onde a escravidão ainda era realidade para muitos no país dele. William Henry Lane mesclava principalmente a dança irlandesa, pois era a dança predominante nos minstrel shows de Manhattan, com as danças afro-americanas, suas raízes, e influenciou as novas formas de dança americanas que viriam a surgir nessa época, como o jazz e o sapateado. Ele é considerado o melhor dançarino de sua época, sendo o mais influente do sec. XIX e o avô do sapateado norte-americano.

Referências:

Livros:

  • FRANCIS, André. Jazz. Tradução de Antonio de Padua Danesi. 1ªed. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora, 1987.
  • LEWIS, Liza. Sapateado: Fundamentos e Técnicas. Tradução de Marcia Di Domenico. 1ªed. Barueri: Manole, 2016.
  • LUDUEÑA, Miguel Angel. TAP: Uma Mirada desde el hemisfério sur. 1ªed. Buenos Aires: Lud Editor, 2010. 
  • MACHADO, Amália e SALLES, Flávio. TAP: A Arte do Sapateado. 1ªed. Rio de Janeiro: Editora Addresses, 2003
  • MARTIN, Cintia. Toques: Vivendo, Aprendendo e Ensinando o Sapateado. 1ª ed. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.
  • STEARNS, Marshall. A História do Jazz. Tradução de José Geraldo Vieira. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1964.

Sites:

Documentários:

  • AMERICAN TAP. Direção: Mark Wilkinson. Produção de Annunziata Gianzero, Rayne Marcusm e Elka Samuels Smith. Estados Unidos: Ivy Media Group Inc., 2018.
  • JAZZ. Direção: Ken Burns. Produção de Ken Burns e Lynn Novivk. Estados Unidos: Florentine Films e Weta, Washington, DC, em associação com a BBC, 2000.

O minstrel show

por Alexei Henriques

Hoje falaremos sobre esse entretenimento americano tão famoso no século XIX onde, provavelmente o sapateado americano começou a surgir, mas que carrega consigo uma triste realidade de como os brancos enxergavam os negros naquele tempo e que possui reflexos na sociedade americana ainda hoje.

Uma das primeiras formas de teatro genuinamente americana foi o “minstrel show” (espetáculo de menestréis) com os “blackfaces” (caras pintadas), onde, inicialmente, brancos se pintavam de preto para fazer imitações estereotipadas de negros com muita música, dança, shows de variedades e piadas fortemente racistas. Essa era uma forma de entretenimento muito popular nos EUA do século XIX e acredita-se que o “minstrel show” tenha sido o principal meio de divulgação dessa fase inicial do sapateado americano. A palavra menestrel na Idade Média se referia aos artistas errantes que declamavam, cantavam e se acompanhavam tocando algum instrumento. Mas o menestrel do século XIX era “uma pessoa de uma trupe de comediantes, tipicamente apresentando um programa de melodias, piadas, e imitações de americanos negros, geralmente com o rosto pintado de preto” segundo o Dicionário Merriam-Webster.

Em 1789, o dançarino de hornpipe, John Durang, dançou com tamancos e a cara pintada de preto uma dança que mesclava passos de ballet com danças afro-americanas. Ele é considerado o “pai” dos “minstrel shows” e é o primeiro nativo americano a se tornar conhecido como dançarino. Já em 1829, o artista irlandês Thomas Dartmouth Rice fez um tremendo sucesso cantando e dançando uma versão negra da dança irlandesa no show “Jump Jim Crow” (O Corvo Saltitante) elevando o nível artístico dessa forma de teatro. Então, apesar dos primeiros “blackfaces” remeterem ao século XVIII, foi a partir da década de 30 do século XIX, após o super sucesso do Jim Crow que o “minstrel show” realmente começou a florescer nos EUA. Esse show, altamente racista, foi muito bem sucedido na época e até hoje ele é lembrado na cultura americana. O título dele foi, inclusive, o nome dado informalmente as leis segregacionistas americanas criadas no final do século XIX e que duraram até a década de 60 do século XX. A partir da década de 1840, então, o “minstrel show” fez um grande sucesso em todo o país, se tornando uma das principais formas de entretenimento dos EUA daquela época e chegando a ter companhias viajando pela Europa, porém sempre carregando muito preconceito.

No início, apenas o homem branco fazia esses espetáculos, mas a partir da década de 40 do século XIX, com o dançarino afro-americano chamado Master Juba, os artistas negros começaram a ter mais presença no “minstrel show”, também fazendo shows com muita música e dança. Eles se pintavam de preto para fingirem ser pessoas brancas pintadas de pretos e poderem ser aceitos pela plateia branca. Na virada do século, essa forma de teatro foi perdendo sua popularidade, dando espaço para o “teatro de Vaudeville”. Mas, apesar dessa perda de popularidade, o “minstrel show” só deixou de ser feito a partir da década de 50 do século XX com o crescimento dos movimentos negros. Há muitos filmes da era de ouro de Hollywood, além de programas de TV e até desenho animado onde o “blackface” era usado.

Como o Steven Harper diz em sua apostila feita para o Sindicato da Dança do RJ, “por mais preconceituosas que fossem, essas representações demonstravam pelo menos uma curiosidade dos brancos pelas danças negras, ao ponto de querer buscar inspiração ‘do outro lado’ e até imitá-las, mesmo que com deboche. Dessa forma, ironicamente, os primeiros artistas a ganhar dinheiro com as danças negras foram brancos”. Apesar dessa forma de teatro ser altamente estereotipada e preconceituosa com os negros americanos, a curiosidade pela música e dança que uma etnia tinha pela outra levaram os EUA a criarem novas formas de arte.

Foi em meio a esse cenário que nasceu um dos maiores dançarinos americanos de seu tempo, considerado como o avô do sapateado americano e que, anos antes da abolição da escravidão nos EUA, conseguiu quebrar algumas barreiras raciais: o já mencionado Master Juba. Falarei mais sobre ele no meu próximo texto: “O Avô do Tap”.

O sapateado americano e as plantações de batatas

por Alexei Henriques

O sapateado americano é uma mistura de danças africanas com diversos outros estilos e sua principal influência europeia foi o sapateado irlandês. Para falar sobre as plantações de batatas, primeiro irei contar um pouco sobre a história da Irlanda. Começarei nossa história daqui no ano de 1517.

Os irlandeses têm um histórico de conflito e submissão com a Inglaterra de vários séculos e o país é considerado ser a primeira colônia do império britânico. Após a reforma protestante de 1517, o rei da Inglaterra Henrique VIII oficializou, no ano de 1534, a religião anglicana, tornando a relação com os irlandeses, que já não era boa, cada vez mais conflitante, pois a maior parte da população da Irlanda era (e ainda é até hoje) católica. O século XVII, na Irlanda, foi um período sangrento, tomado por conflitos religiosos e de posses de terra. Após a Guerra Civil Inglesa em 1649, o militar e líder político inglês Oliver Cromwell (1599 – 1658), até hoje considerado pelos irlandeses como um monstro, tomou diversas medidas contra os católicos irlandeses consideradas por muitos historiadores como genocidas. Com isso, durante praticamente uma década, quase metade da população irlandesa foi morta ou obrigada a trabalhar nas colônias britânicas da América, Austrália e Ilha de Barbados ao lado dos negros africanos escravizados e dos nativos de cada lugar.

Mesmo após a virada para o século seguinte e, posteriormente, a algumas tentativas quase bem sucedidas de independência da Irlanda, como a Rebelião Irlandesa em 1798 e a vaga no parlamento britânico ocupada (de 1823 a 1829) pelo pacifista irlandês Daniel O’Connel conhecido como “O Grande Libertador”, a Irlanda continuou sendo submissa à coroa britânica com uma população muito pobre e de maioria agrícola. Nas primeiras décadas do século XIX, os irlandeses viviam em condições precárias, obrigados a pagar altos impostos para os ingleses, como a chamada Lei do Milho (Corn Lows), e sobreviviam apenas com o que plantavam. E, nessa época, o que eles tinham para cultivar era basicamente apenas plantação de batatas. Em contraste com a supremacia mundial do império Britânico após a Revolução Industrial, a Irlanda era o país mais pobre de toda a Europa. Por conta disso, desde o século XVIII milhões de irlandeses emigravam de seu país em busca de uma vida melhor no novo continente.

Para piorar ainda mais a situação dos Irlandeses, entre os anos de 1845 a 1849, devida a uma praga que surgiu nas Batatas e as precárias condições em que a população vivia, a Irlanda passou pela maior tragédia já registrada em toda sua história chamada de “Grande Fome”. Mais de três quartos das colheitas chegaram a ser perdidas, mais de um milhão de pessoas morreram de fome ou inanição e mais outro milhão emigraram do país reduzindo a população da Irlanda a quase 25%. Os principais destinos desses emigrantes eram os grandes centros urbanos do nordeste americano como Boston, Filadélfia e Nova York. Muitos irlandeses foram para essas cidades levando consigo sua história e cultura ao novo continente. Até hoje, com aproximadamente 6 milhões de habitantes, a população da Irlanda nunca mais voltou ao nível de antes da fome, de cerca de 8 milhões de pessoas.

A Big Apple, durante o século XIX, tinha uma população pobre com muitos imigrantes. E depois dessa “Grande Fome” na Europa de 1840, a maior população de imigrante de cidade era a irlandesa, que chegavam sem nada para começar a vida do zero. Os irlandeses eram muitas vezes menosprezados pelo restante da população e colocados como culpados pela degradação da cidade. É possível encontrar anúncios de empregos daquela época onde se dizia “Irlandês não”. Por conta dessa grande presença de imigrantes irlandeses e pela grande presença de afro-americanos que chegavam nesse centro ativista abolicionista internacional, o sapateado americano começou a se desenvolver recebendo bastante influências desses dois povos.

Referências:

Livros

– LEWIS, Liza. Sapateado: Fundamentos e Técnicas. Tradução de Marcia Di Domenico. 1ªed. Barueri: Manole, 2016.

– LUDUEÑA, Miguel Angel. TAP: Uma Mirada desde el hemisfério sur. 1ªed. Buenos Aires: Lud Editor, 2010. 

– MACHADO, Amália e SALLES, Flávio. TAP: A Arte do Sapateado. 1ªed. Rio de Janeiro: Editora Addresses, 2003

– MARTIN, Cintia. Toques: Vivendo, Aprendendo e Ensinando o Sapateado. 1ª ed. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2010.

– STEARNS, Marshall. A História do Jazz. Tradução de José Geraldo Vieira. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1964.

Sites:

– Daniel O’Connel. Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Daniel-OConnell . Acesso em 07/2020

– Daniel O’Connel. Clary Count Library. Disponível em: https://www.clarelibrary.ie/eolas/coclare/people/daniel.htm. Acesso em 07/2020

– GRIFFIN, Noel M. How many died during Cromwell’s campaign?. History Ireland. Disponível em: https://www.historyireland.com/cromwell/how-many-died-during-cromwells-campaign/. Acesso em 07/2020

– HARPER, Steven. Apostila de conteúdo e referências Para a Prova Teórica de Sapateado. Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: https://spdrj.com.br/wp-content/uploads/sites/150/2019/09/APOSTILA-DE-SAPATEADO.pdf

– Hill, Constance Valis. Tap Dance in America: A Short History. Library of Congress. Disponível em: https://www.loc.gov/item/ihas.200217630/#:~:text=Tap%20dance%20is%20an%20indigenous,United%20States%20in%20the%201700s. Acesso em 07/2020

– HOGAN, Liam. The Irish in the Anglo-Caribbean: servants or slaves?. History Ireland. Disponível em: https://www.historyireland.com/volume-24/the-irish-in-the-anglo-caribbean-servants-or-slaves/. Acesso em 07/2020

– MOKYR, Joel. Great Famine. Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/event/Great-Famine-Irish-history . Acesso em 07/2020

– Penal Laes. Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/event/Penal-Laws. Acesso em 07/2020

– PIRULLA. História da Irlanda (PARTE 2): Ingleses, Domínio Protestante, Plantations, Grande Fome. Youtube, 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QkbqDIiWRPs. Acesso em 07/2020

– ROGERS, Jon. The Big Grapple. The Sun. Disponível em: https://www.thesun.co.uk/news/7239140/real-gangs-of-new-york-five-points-images/

– TORINO, Cristina. Riverdance e sua Origem – Dança Irlandesa. Portal Educação da Prefeitura de Taubaté. Disponível em: http://taubate.educaon.com.br/wp-content/uploads/2020/05/DAN%C3%87A-SAPATEADO-Professora-Cristina-Atividade-25.pdf. Acesso em 07/2020

– Young, Patrick. Five Points on the Edge of the Draft Riots. Long Island Wins. Disponível em: https://longislandwins.com/columns/immigrants-civil-war/five-points-on-the-edge-of-the-draft-riots/. Acesso em 07/2020

Documentários:

– AMERICAN TAP. Direção: Mark Wilkinson. Produção de Annunziata Gianzero, Rayne Marcusm e Elka Samuels Smith. Estados Unidos: Ivy Media Group Inc., 2018.