Letras de Músicas

Clarão

(Vivianne Tosto / Mônica Luz / Pedro Pereira)

Passa e nem nota
A vida é mesmo assim
Passam estrelas por mim
Eu vi você partir
Tudo, nada, nada foi
Me pego pensando em ti
Nas noites sem dormir
O amor me trai
E um beijo faz
Tremer meu corpo em brasa
Flores e grãos perfumarão
Meu leito minha casa
Se ter você me faz feliz
Por que não fiz mais nada?
Precisei ver que te perder
Levou de mim, a alma
Breve, tão breve
Mas forte como o mar
Como um clarão que passou
Eu vi você passar
Vou vivendo sem viver
O seu silêncio me diz
Melhor é te esquecer
O amor me trai
E um beijo faz
Tremer meu corpo em brasa
Flores e grãos perfumarão
Meu leito minha casa
Se ter você me faz feliz
Por que não fiz mais nada?
Precisei ver que te perder
Levou de mim, a alma
Se ter você me faz feliz
Por que não fiz mais nada?
Precisei ver que te perder
Levou de mim, a alma
A alma, a alma, a alma

­

Surpresa

(Alex Sancher)

Surpresa mais que fogosa
Adentra-me à noite escura
Miro, com quase frieza
Cada gesto, cada curva
Caiu do céu feito um anjo
No corpo meu como a luva
Que aquece as mãos friorentas
Nas longas tardes de chuva
No lago em frente aos girassóis
Que bom poder sentir
A fina pele do seu dorso
Sem sequer saber
Se poderia lhe chegar
Algum dos mil refrões
Que fiz por crer que lhe teria
Ao menos por canções
É na fumaça do cachimbo
Oi, é na brasa
Que vê- se a trilha desse cantador que passa
Por essa vida, acreditando, são paixões
Que alimentam o ardente fogo nas canções
Quero cantar no seu ouvido
Oi, vem me abraça!
Do coração, sua presença, inunda a casa
Não há razão pro cantador seguir aflito
Se alguns milhões de beijos seus, cessam o conflito

­

Pare de mentir

(Luiza Lima / Monalisa Lima)

Pare de mentir
Não vá dizendo que o amor é assim
Não vá pensando que o meu coração
É uma vertente de dor, sem razão
Quando pingar o suor
Na madrugada
Ôôôôô ôôôô ôôôôô
Eu vou atravessar o rio, meu amor!
Eu vou saber dessa certeza
Eu vou seguir a correnteza, meu amor!
Fugir de vez desse lugar
Desculpe, mas um dia eu vou embora
Pegar o trem, vou me mandar daqui
E você vai sentir a minha falta
Falta de um amor sem fim
Desculpe, mas um dia eu vou embora
Pegar o trem, vou me mandar daqui
E você vai sentir a minha falta
Falta de um amor sem fim
Pare de mentir
Dizer loucuras, que não têm perdão
Seu beijo doce, amarga ilusão
Tempero certo à solidão, provei
Tantas desculpas ouvi
Que a nossa história termina aqui
Ôôôôô ôôôô ôôôôô ôôôôô
Eu vou atravessar o rio, meu amor
Eu vou saber dessa certeza
Eu vou seguir a correnteza, meu amor
Fugir de vez desse lugar
Desculpe, mas um dia eu vou embora
Pegar o trem, vou me mandar daqui
E você vai sentir a minha falta
Falta de um amor sem fim
Desculpe, mas um dia eu vou embora
Pegar o trem, vou me mandar daqui
E você vai sentir a minha falta
Falta de um amor sem fim
Mas você não me quis
Sinto muito, amor
Não fui eu que escolhi
Perder a seu favor
Mas você não me quis
Sinto muito, amor
Não fui eu que escolhi
Perder a seu favor
Pare de mentir

­

Nunca mais

(Vivianne Tosto)

Laieraiá, laieraiá, laieraiá, laieraiá
Chora, uma lágrima sentida
Pois já te tirei da minha vida
Vão-se os dias, vão-se os anos
Diga se conhece quem amou
Quando o tempo passa
E mostra que tudo acabou
Quando o tempo passa
E mostra que tudo acabou
Chega de iludir meu coração
Basta de fugir, basta
A mentira, um dia, chega ao fim
E vai doer demais em mim
Vamos assumir, por favor
Vamos assumir, por favor
Nunca mais ouvi dizer que gosta de mim
Nunca mais falou “meu bem” ou “meu amor”!
Nunca mais ouvi “que saudade de você”!
Tanto faz, agora tanto faz…
Chega, seu amor não quero mais
Tanto faz, agora tanto faz…
Chega, seu amor não quero mais
Nunca mais ouvi dizer que gosta de mim
Nunca mais falou “meu bem” ou “meu amor”!
Nunca mais ouvi “que saudade de você”!
Tanto faz, agora tanto faz…
Chega, seu amor não quero mais
Tanto faz, agora tanto faz…
Chega, seu amor não quero mais

­

Esse blues que finge não ter fim

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Quando a lua acende a sua prata
o que me consome
o que me consome
vaza assim
nos versos de um blues que a madrugada
no sereno esconde
no sereno esconde
e apaga em mim
as mensagens que cifrei nas cartas
com palavras mal iluminadas
entregando tudo tudo mas nem tanto assim
e o seu nome por enquanto vaga
pelas notas quase embriagadas
nesse blues sem fim,
esse blues que finge não ter fim
O que o mundo esconde é quase nada
desse pouco eu canto
nesse canto eu ponho
um estopim
explodindo o breu da madrugada
junto com meu nome
em sua boca escrito com carmim
E o silêncio é só uma cilada
que você deixou na encruzilhada
e esse blues reclama
e me diz seu nome mesmo assim
e o seu nome por enquanto vaga
pelas notas quase embriagadas
nesse blues sem fim,
esse blues que finge não ter fim

­

Labirinto

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Essa cidade esconde um labirinto
E o meu destino vai na contramão
Perdido entre o que sei e o que pressinto
Até você parece uma ilusão
Andei bebendo rios de absinto
Estava embriagado de paixão
Pedindo anestesia aos meus instintos
Rifando o corpo nessa obsessão
Confesso, não estava nos meus planos
Vagar sem rumo dentro do seu coração
Cruzar os becos dos meus desenganos
E me perder
Num enredo em que o amor não cabe não
Você me afoga mais que o absinto
E os meus instintos vão na contramão
O meu destino está num labirinto
Andei bebendo rios de paixão
Você sabe bem menos que eu pressinto
E essa cidade esconde uma ilusão
Espero embriagado enquanto minto
Perdendo o corpo nessa obsessão

­

Valsa negra

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Quando no salão seu corpo encontra o meu
E alça nessa valsa a cada passo um céu
Não se ilumina em meu caminho o breu
Que seu olhar despeja assim ao léu
Rasgando o véu do abismo que é viver
Seja o mundo imerso na escuridão
Toda a gente sem saber por onde ir
Ou o que o amor ergueu pra mim como um salão
É mais um artefato da ilusão
Que os olhos cegos imaginam ver
Meus passos em falso nunca vão chegar aos seus
Seus passos perdidos erram por aí
Nem cinco sentidos são bastantes pra saber
Das sombras desse amor algum sentido traduzir

­

Marília de Dirceu, hein?

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Eu dei a ela todos os fracassos
Da minha biografia inconclusa
Ela não tinha vocação pra musa
E eu, de poeta, quase nenhum traço
Porque a minha voz é tão confusa
Na decadência o samba erra o compasso
E troca as pernas nesses erros crassos
Que andei riscando pela partitura
Eu dei a ela os vacilos que eu dava
E ela me deu zangada um prazo
Mas depois não se conformou
Cansou de vez por ver que eu não mudava
Me pôs pra fora do chatô
Bateu a porta e foi sambar

­

Pra lá de Goa

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Tordesilhas do meu destino
Além- tejam mais uma loa
Quando vi tava assim perdido
Meu navio pra lá de Goa
Joguei mais uma flor no mar
Pra Yemanjá se enfeitar
O vento veio pra dançar (joguei mais uma flor no mar)
No balanço da onda a tristeza voa!
As veredas do meu caminho
Piraporam nessa ciranda
Quando eu vi tava assim sozinho
Meu navio num mar de Espanha!
Joguei a minha dor no mar
Mãe Yemanjá veio levar
E prometeu mandar buscar (joguei a minha dor no mar)
No balanço da onda uma coisa boa!
Guanabara o meu pouco siso
Marambaia lá na Gamboa
Esse mundo é quase infinito
Meu navio uma coisa à toa!
Joguei minha paixão no mar
E naveguei pra me encontrar
Nos braços de mãe Yemanjá (joguei minha paixão no mar)
No balanço da onda que coisa boa!

­

Vapor de mercúrio

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Se eu vi o chão dessa cidade se acender
enquanto os olhos flutuavam no vapor
das luzes de mercúrio contra um céu sem fim
e o seu murmúrio sobre mim
na embriaguez do amor
Sei bem como é loucura a gente desejar
roubar de cada instante aquilo que é fugaz
suor evaporando em nossos corpos nus
vai dispersando pelo ar
o sal do mar do amor
Sob a luz difusa do abajur lilás
nem as horas sabem como controlar
essa dança que sobre os lençóis
criamos nós em noites vãs
Pudesse o desejo ao tempo cancelar
e enlouquecê-lo até fazer parar
as horas que ardem como nós
virando cinzas de manhã
enquanto some Aldebaran
virando cinza de manhã
enquanto some Aldebaran

­

Influência da bossa

(Walter Ribeiro / Nuno Rau)

Você me diz que esse mundo pós-moderno
não casa mais com meu amor eterno
só quer de mim uma paixão neoliberal
Um affair bem descolado e pós-industrial
Falou também na morte do sujeito
pós- estruturalizando meu peito
desafinado eu saio dessa fossa (e por quê?)
porque minha influência é só da bossa
e agora que eu parei de vez com essa conversa
você estranha a minha pressa
mas eu cansei de insensatez
é madrugada, então eu faço mais um samba
porque o sujeito que morreu
sinceramente não fui eu

Revista eletrônica de arte contemporânea

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: