A Congo Square e a Cultura Norte-Americana

por Alexei Henriques

A arte do Tap Dance nasceu e se desenvolveu praticamente junto com a música e as danças oriundas do jazz. Por isso, falaremos um pouco sobre um local muito importante para o nascimento dessa arte que anos mais tarde viraria uma febre nacional e até internacional

A Congo Square é um lugar dentro do atual parque Louis Armstrong, em New Orleans (EUA), que foi de extrema importância para a história da cultura norte-americana. O estado de Louisiana, onde fica a cidade de New Orleans, passou por diversas dominações de diferentes países europeus, tendo recebido africanos escravizados de variadas regiões desse continente fazendo com que, desde o início, essa região fosse altamente cosmopolita, poliglota e multicultural. Durante o séc. XIX a cidade cresceu muito, chegando a ser a quarta maior cidade dos EUA e seus portos foram a principal porta de entrada dos navios negreiros americanos, tornando a cidade a maior comunidade afro-americana do país.

O jazz, que é considerado o principal estilo musical tipicamente americano e que influenciou diversos outros estilos que vieram depois, nasceu após o surgimento do blues e do ragtime, com a fusão do vudu (religião com influência dos povos daomenos, onde hoje fica o Benim), da religião católica trazida pelos colonizadores latinos, dos cantos religiosos das igrejas negras protestantes, dos ritmos africanos, da canção de trabalho dos escravos, das marchas de fanfarra e das danças afro-americanas do século XIX. Mas ouve um lugar especial, na cidade de New Orleans, onde essa mistura toda pôde acontecer mais fortemente: a Congo Square.

Durante o período da escravidão, em diversos lugares das Américas, os fazendeiros forneciam aos seus escravos um mecanismo econômico chamado de “Brecha Camponesa”. Nesse mecanismo, alguns escravos recebiam pequenos lotes de terra do seu senhor para cultivo próprio e disponibilidade de, normalmente, uma vez por semana, trabalhar em sua terra conseguindo até comercializar seus produtos com outros escravos. Como o historiador Rainer Souza diz em seu artigo para o site “Mundo Educação”, essa prática, apesar de ter dado relativa ¨melhora¨ na condição de vida dos escravos, visava ampliar o lucro dos fazendeiros, diminuindo os gastos que eles tinham com as roupas e alimentos de seus escravos, além de dar uma imagem de “bom moço” aos fazendeiros, evitando conflitos e revoltas.

Em Louisiana, algo parecido aconteceu. Por terem sido durante um tempo de possessão francesa e obrigados a praticarem a religião católica, os escravos de Louisiana possuíam um Código Negro (Code Noir), criado em 1724, com regras um pouco mais brandas em comparação ao restante dos EUA como o direito de se casar, de não separarem os filhos pequenos de suas mães e de possuírem uma folga aos domingos. Mesmo durante o período que Louisiana foi de possessão espanhola, o Código Negro continuou em vigor. Essas regras estavam longe de trazer qualquer dignidade para o povo negro, mas, com isso, muitos escravizados puderam se encontrar uns com os outros e nesses encontros havia trocas de mercadorias, cultos religiosos e muita música e dança. A Congo Square ficou muito famosa por ter sido um lugar onde muitos escravos se reuniam e toda essa troca pode ser mais desenvolvida sendo considerada, então, o berço do jazz e da cultura afro-americana.

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